Dez anos fora. Cada nota voltou comigo.
Passei uma década vivendo e tocando em Portugal e no Brasil, e isso mudou a forma como eu ouço música.
Em Portugal, trabalhei com Tiago Nacarato, fiz várias turnês com a cantora e compositora Nani Vazana, que canta em ladino, e criei o Dance of Gods, um projeto de fusão com Prashant Paradkar, eleito o melhor baterista de metal pela Rolling Stone India e discípulo direto de Trilok Gurtu, com quem também tive a honra de conviver e de ver trabalhando. Com a cantora brasileira Carol Mello, gravei e fiz shows no Brasil e na Itália.
O Brasil me deu o choro, a música em que o violão de sete cordas carrega ao mesmo tempo a baixaria, a harmonia e toda a conversa. Toquei ao lado de chorões como Henrique Neto, da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, em Brasília, Felipe Bastos, Chico Bastos e Ricardo Passos, e gravei meu próprio projeto, Choro Moro, para a Rádio MEC, no Rio de Janeiro. O forró também me encontrou: dividi o palco com Derico Alves, que acompanhou os mestres Sivuca e Dominguinhos, e com o violonista Iury Matias.
Há alguns anos, a saúde me obrigou a desacelerar. Acabou sendo a melhor lição que já tive: a verdadeira força não está na pressa, está na profundidade.
No caminho, aprendi que a melhor música não é a mais rápida nem a mais alta. É a que está totalmente presente. É isso que eu levo a cada lugar onde toco.
A música viaja bem. Eu também.
Além do palco
Por trás do violão há um engenheiro, literalmente: tenho mestrado em Engenharia de Sistemas e Informática Aplicada, e é por isso que cadeias de sinal complexas, montagens de estúdio e novas tecnologias são o meu habitat natural. Mixei inúmeros shows e sessões de estúdio, dei aulas em escola de música e particulares, e fui diretor artístico e técnico do Forró Brno Fest, um festival internacional de música e dança de três dias, onde também toquei. Como violonista de formação clássica, fiz masterclasses com Andrew York, Scott Tennant, Rogério Caetano, Štěpán Rak, Massimo Delle Cese e Simone Iannarelli, entre outros.